Panorama Político | 5 de Agosto de 2022

Convenções partidárias

5 de Agosto de 2022

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

ACERTOS E DESACERTOS DAS CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS

A semana esteve movimentada em decorrência do início do segundo semestre no Poder Legislativo e pelos últimos acertos sobre quem serão as candidatas e candidatos escolhidos pelos partidos e federações. Com o fim do ciclo eleitoral das convenções, é possível observar quais acertos políticos e alianças se confirmaram, com as coligações para os cargos majoritários e as federações para os cargos proporcionais. Pelas federações, a complexa teia de capital político envolve não só interesses de um único partido, mas o de todos os integrantes de duas ou mais agremiações partidárias.

As estratégias políticas arquitetadas pelos “caciques” dos partidos e montadas pelas equipes de campanha são promovidas nas convenções, onde ocorre o chamamento de todas e todos para participarem das campanhas das candidaturas em seus respectivos estados e municípios. A possibilidade de as convenções serem virtuais, híbridas ou presenciais facilita o envolvimento de mais correligionários. Além disso, a sociedade poderá acessar as informações sobre as convenções pelas atas e pelo registro de presentes no site do TSE.

As candidaturas majoritárias e proporcionais oficializadas nas convenções deverão ser registradas no TSE até o dia 15 de agosto. Há expectativa sobre os acertos políticos, os quais, ao longo dos meses, se mostraram frágeis nos estados e também nacionalmente pelo projeto “terceira via”. Agora, as candidaturas devem intensificar as viagens e os encontros.

Enquanto isso, a Justiça Eleitoral terá o trabalho de analisar os registros e dados das candidaturas. Além das atas e dos registros de presença das convenções, devem ser entregues diversos dados, como prova de filiação partidária, declaração de bens, cópias do título eleitoral, certidão de quitação eleitoral, certidões criminais das Justiças Estadual, Federal e Eleitoral e foto oficial de campanha. Para as candidaturas ao Poder Executivo, devem ser entregues as propostas de campanha defendidas. Com estes dados, os tribunais eleitorais deverão publicar, até 12 de setembro, as campanhas que têm os requisitos legais para disputar as eleições.

Recorrentemente, as declarações de bens e certidões criminais são os fatores que dão maior causa para indeferimento, cancelamento ou cassação de candidaturas. Caso uma candidatura não seja aprovada pela Justiça Eleitoral, novas candidaturas poderão ser registradas após o prazo de 15 de agosto. Nestes casos, o partido, bem como a federação ou a coligação, poderá fazer um registro dez dias após a decisão ou morte/renúncia do candidato, e vinte dias antes do pleito. Caso uma candidata ou candidato morra com menos de vinte de dias do pleito, será possível novo registro de candidatura.

A candidatura de Simone Tebet como presidenciável pelo MDB teve diversos contratempos e muitos consideravam que a ala lulista do MDB, encabeçada pelo Senador Renan Calheiros, não permitiria sua candidatura à presidência da República. Entre acertos e desacertos, após se cogitar o nome do senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), além de conseguir sair como candidata, Simone Tebet pôde escolher como vice a senadora Mara Gabrilli (PSDB/SP). Uma chapa à presidência e vice-presidência da República composta por mulheres é algo inédito no Brasil e, embora sejam remotas as chances de vitória, para Simone e Mara a promoção de suas imagens como mulheres na política por dois dos principais partidos do Brasil as tornam pessoas políticas chave para 2023.

A candidatura de Ciro Gomes (PDT) está marcada pela sua dificuldade de estabelecer palanques nos estados e montar uma rede de apoio entre outros partidos e candidaturas estaduais. Além do isolamento político, ainda teve o desafio de definir a vice-presidência de sua chapa. À princípio, buscou Simone Tebet, como vice, que desde o início disse que não aceitaria a cadeira de vice. Após tentativas frustradas de apoio junto ao PSD e ao União Brasil, o PDT cogitou uma chapa “puro-sangue”, com a senadora Kátia Abreu, à época filiada ao PDT, a senadora Leila Barros (PDT/DF) que atualmente está como candidata ao Governo do DF e, a ex-reitora da USP, Suely Vilela. Por fim, manteve-se no PDT e escolheu a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, para assumir a cadeira de vice em sua campanha à presidência deste ano.

A candidatura de Jair Bolsonaro (PL) tem repetido as mesmas estratégias de sua campanha à eleição de 2018, com um forte aparato para produção de conteúdo em diversas redes sociais e grupos, além da contínua presença no rádio em que realiza entrevistas todas as semanas. Outro militar assume a chapa como vice, o general Braga Netto. As lives do YouTube nas quintas-feiras à noite, marca registrada do governo Bolsonaro, onde este se comunica com a sociedade sobre os acontecimentos considerados marcantes de sua gestão, continuam. Além disso, ressalta-se a realização das motociatas, que ocorreram praticamente em todos os estados em que visitou.

O PTB, um partido conservador que faz parte da ala governista, anunciou seu candidato à presidência, o ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro Roberto Jefferson. Possui como vice o padre ortodoxo Kelmon Luís da Silva Souza, líder do Movimento Cristão Conservador do PTB e do Movimentos Cristão Conservador Latino-Americano. Roberto Jefferson afirmou que não está como concorrente de Bolsonaro e que busca encontrar votos em nichos do eleitorado conservador para evitar uma maior abstenção eleitoral. Entretanto, é acusado de participar de milícias digitais contra as instituições democráticas e está atualmente em prisão domiciliar. A análise do TSE após o registro de candidatas e candidatos será determinante para o futuro de sua candidatura.

A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com uma grande mobilização de partidos políticos de esquerda e, como vice, escolheu Geraldo Alckmin, um político reconhecidamente da direita tucana paulistana, mas que atualmente está no PSB. Alckmin, que foi de tucano a companheiro de Lula, possui um perfil de centro-direita e com grande capital político no maior colégio eleitoral do país, São Paulo, e foi uma aposta para acalmar o mercado financeiro e grandes empresários. Embora o PT esteja com dificuldades em alguns estados, diante dos interesses dos outros partidos envolvidos na federação, ganhou outro importante aliado, André Janones, que retirou sua candidatura à presidência pelo Avante.

O fato é que, embora Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) tenham avançado, a corrida à presidência está centrada entre Bolsonaro e Lula, que têm enorme reconhecimento e capital político por estarem buscando a reeleição. Entretanto, além dos números sobre intenções de votos, outro importante marcador é o percentual de rejeição. E, por enquanto, é Lula quem tem a menor rejeição entre os quatro candidatos e candidata.

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