• Helena Tavernard e Ana Vogado

Green Bonds para o Agronegócio: O mercado brasileiro dos títulos verdes e as perspectivas futuras- 2


O mercado dos green bonds – os nomeados títulos verdes – surge primeiramente em âmbito internacional no ano de 2007, com o intuito de fomentar os investimentos em iniciativas sustentáveis. Deste modo, desde a década passada, esses títulos de renda fixa com foco na proteção ambiental despontam como um dos principais instrumentos financeiros disponíveis para combater a mudança climática em uma perspectiva global, em linha com a principal meta estabelecida pela Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015 (COP-21).


Tal situação não é exceção no contexto brasileiro. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), desde 2016 o Brasil emitiu um volume superior a U$ 5 bilhões em green bonds somente no mercado nacional. A amplitude dos investimentos vem aumentando a cada ano, presentemente somando 25 emissões domésticas desde o ano de 2015.


Contudo, embora, quando comparado a outras nações, o Brasil ainda tenha um volume de investimentos nesse modelo de mercado um pouco incipiente, o país possui grande potencial de crescimento quanto aos investimentos verdes. Atualmente, o Brasil já representa, no escopo internacional, cerca de 34% da emissão dos títulos na América Latina e no Caribe, com 6 dos 11 títulos verdes da região.


Para estimular esse mercado doméstico, em 2016 foi formulado, conjuntamente pela Febraban e pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, um Guia para a Emissão de Títulos Verdes no Brasil. Nesse Guia, demonstram-se as etapas e os critérios para a emissão dos títulos de renda fixa, bem como os aspectos positivos tanto para os investidores quanto para os emissores, como a visibilidade e o benefício reputacional.


No contexto nacional, desse modo, presume-se que o maior potencial para a emissão dos green bonds se encontra na área do agronegócio e nos setores florestais e de energia — e a maior parte dos resultados expressivos do Brasil no mercado internacional dos títulos verdes já provêm exatamente do ramo da agricultura.


Nesse ínterim, com o intuito de estimular as oportunidades e aumentar a visibilidade para o campo do agronegócio nacional, especialmente por meio dos investimentos verdes, foi lançado, ainda em junho deste ano, um Plano de Investimento para a Agricultura Sustentável pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em conjunto com a Climate Bonds Initiative (CBI) — única entidade capaz de globalmente certificar os títulos verdes e principal autoridade na temática.


Deste modo, evidente o potencial e a capacidade do mercado do agronegócio brasileiro para o mercado de títulos verdes. Assim, mesmo que presentemente o Brasil ainda tenha representação inaugural quanto aos green bonds, é possível que sejam adotadas maiores medidas de governança e de investimentos para o crescimento dos títulos e projetos verdes em âmbito nacional — tendência que deve ser observada ao longo dos próximos anos.

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